Há momentos na vida em que a gente percebe que precisa recomeçar.
- Glauce Simione Bongiorno
- 29 de jun.
- 2 min de leitura
O meu recomeço aconteceu quando deixei São Bernardo do Campo e escolhi Itatiba para escrever um novo capítulo da minha história.
Muita gente imaginou que eu estava apenas mudando de endereço. Mas, na verdade, eu estava buscando algo que sempre sonhei oferecer às famílias que confiam em mim.
Eu queria um lugar onde as gestantes pudessem chegar sem pressa.
Sem o barulho de um estúdio compartilhado. Sem a correria de um espaço alugado por hora. Sem a sensação de serem apenas mais um horário da agenda.
Eu queria que elas encontrassem um ambiente que transmitisse paz antes mesmo do primeiro clique.
Foi assim que nasceu o meu estúdio.
Um espaço pensado nos mínimos detalhes, com luz totalmente controlada, o clássico fundo branco que valoriza o que realmente importa — a conexão entre mãe, pai e bebê — e um jardim que cresce junto com cada história que fotografo.
Nesse jardim, construí uma pequena casinha de madeira.
Ela não foi feita apenas para ser bonita.
Foi construída para despertar sorrisos, criar memórias e fazer com que cada família viva momentos leves, espontâneos e verdadeiros. Muitas vezes, é ali que os irmãos mais velhos brincam, os pais esquecem a timidez e a gestante simplesmente respira fundo e aproveita aquele instante.
Porque é exatamente isso que eu acredito.
Fotografia não começa quando a câmera dispara.
Ela começa quando a pessoa se sente acolhida.
Depois de tantos anos fotografando famílias, aprendi que ninguém procura apenas belas imagens. As pessoas procuram sentir. Procuram guardar um capítulo da vida que nunca mais vai voltar.
Uma barriga nunca será exatamente igual amanhã.
Um olhar apaixonado entre um casal esperando um filho acontece uma única vez.
A ansiedade, a expectativa, os planos, o medo e a felicidade vivem juntos durante poucos meses... e passam muito mais rápido do que imaginamos.
É por isso que eu não vendo um ensaio fotográfico.
Eu entrego uma experiência.
Quero que cada gestante vá embora sentindo que foi cuidada, respeitada, valorizada e lembrada da mulher linda que é, justamente em um momento em que tantas vezes ela esquece de olhar para si.
Quando, anos depois, essa família abrir o álbum, eu não quero que ela diga apenas:
"Que fotos bonitas."
Eu quero ouvir:
"Você lembra daquele dia?"
Porque é nesse momento que eu sei que fiz o meu trabalho.
As fotografias serão para sempre.
Mas o que realmente ficará guardado será tudo aquilo que elas viveram enquanto essas fotografias aconteciam.
E é exatamente por isso que escolhi construir esse lugar.
Não apenas um estúdio.
Um espaço onde memórias começam antes mesmo do primeiro clique.



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