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O episódio do chapéu e a lição de uma vida

  • Foto do escritor: Glauce Simione Bongiorno
    Glauce Simione Bongiorno
  • 12 de jun.
  • 2 min de leitura

Se a fotografia me perseguia, ou eu a perseguia, essa resposta começou a ficar clara quando fui trabalhar como secretária em um sindicato. Era perto de casa, mas o ambiente era pulsante. Ali, entre reuniões e eventos, eu descobri que adorava a parte do jornalismo: o acompanhamento das festas, os registros, a energia de fazer acontecer.

Um episódio específico, no entanto, ficou gravado na minha memória. Tivemos um show do cantor Daniel, e a multidão era tanta que as pessoas chegavam a ameaçar derrubar o portão. Fui até o cantor, expliquei a situação e ele, muito atencioso, sugeriu: "Glau, peça para elas serem rápidas e atendo uma a uma".

Foi o que fiz. Organizei a fila, fotógrafo a postos, tudo correndo bem, até que a filha de um dos nossos diretores — e olha que tínhamos quase 25! — tentou "dar uma carteirada" e furar a fila aos prantos, querendo entrar com o dono da casa de shows. Eu sabia que aquilo não era postura, e não me importava com o cargo de ninguém. Olhei para o senhor de chapéu e fui direta: "Se ela quiser entrar, será depois que a minha fila acabar. Na minha fila ela não entra, nem com o Papa".

Fiquei lá até o último segundo, garantindo que a regra fosse cumprida.

O medo e a surpresa

Segunda-feira chegou e, com ela, a recepção me avisa: "Glau, o dono da casa de shows está aqui e quer falar com o seu chefe". Gelei. Pensei que era o meu fim e que pediriam a minha cabeça. Entrei na sala do saudoso Sr. Aliberto, meu chefe, toda sem jeito. Contei o ocorrido e pedi: "Chefe, não aceite o pedido da minha cabeça". Ele apenas riu e pediu que eu chamasse o visitante.

Quinze minutos depois, o Sr. Aliberto grita da sala: "Glauce, venha aqui". Minhas pernas tremeram pela segunda vez. Entrei pronta para o pior, mas o homem de chapéu me olhou e disse:

"Vi sua postura ontem. Você foi muito firme e gostei. Preciso de alguém assim para trabalhar no Estância Alto da Serra".

Eu "quebrei". Tinha 19 anos e recebi uma proposta para trabalhar em uma das maiores casas de shows do país. Seria o emprego dos sonhos, com Ivete Sangalo, Victor e Leo e tantos outros no auge. Fui falar com meus pais, que, com toda a preocupação protetiva da época, não deixaram.

O melhor caminho

Naquele momento, sofri horrores. Mas hoje, olhando para trás e para todos os caminhos que escolhi, entendo perfeitamente a preocupação deles. Agradeci ao Eloi Carlone pelo convite, explicando que era o trabalho dos sonhos, mas não para aquele momento.

O Sr. Aliberto e o Sr. Eloi já não estão mais aqui, mas guardo com carinho essa história. Olho para onde estou hoje — na fazenda, com o meu estúdio, criando imagens e gerindo marcas — e percebo que, por mais estranhos que tenham sido alguns caminhos, este aqui é, sem dúvida, o melhor de todos.

 
 
 

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