Onde o filho chora e a mãe não vê
Atualizado: 30 de jun.
Depois de dois anos intensos de aprendizado no sindicato, o cenário mudou. A diretoria com quem eu trabalhava perdeu a eleição. Olhando para aquela nova realidade, tomei uma decisão firme: eu não queria trabalhar para a nova gestão. Era hora de traçar um novo rumo.
Foi quando o convite de uma amiga de infância acendeu uma luz. A proposta? Passar um tempo nos Estados Unidos, com o foco total em estudar o idioma e trabalhar como babá para conseguir me manter.
Com a coragem que sempre me acompanhou, arrumei as malas. No dia 12 de dezembro, embarquei completamente sozinha rumo ao exterior.
O pão que o diabo amassou (e a gente finge que é normal)
Viajar e morar fora é uma experiência incrível, mas a realidade nua e crua é bem diferente dos cartões-postais. O exterior é aquele lugar onde o filho chora e a mãe não vê. É onde você come o pão que o diabo amassou e, de alguma forma, finge que tudo é perfeitamente normal.
Por que a gente faz isso? Porque fomos ensinadas a ser fortes. Na nossa cabeça, a gente não pode fraquejar, não pode ligar para casa dizendo que está ruim e, muitas vezes, não pode nem falar a verdade para si mesma.
De fato, quando cheguei, fui muito bem recebida. Mas a rotina e os acontecimentos começaram a se acumular. Sabe aquela situação limite em que você engole o choro, olha ao redor e percebe que simplesmente não dá para largar tudo, virar as costas e dizer: "Tchau, tô fora, cansei"? Você está ali, por sua conta, e precisa aguentar o tranco.
O que vem por aí...
Esses meses longe de casa testaram cada limite da minha resiliência e me mudaram para sempre. Mas o que aconteceu depois de enfrentar essa tempestade em um país frio e desconhecido? Como essa experiência me preparou para o que viria depois?
Isso eu te conto no próximo capítulo.



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